sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dilma: A Não-Candidata em Não-Campanha a Não-Presidência

Dilma é recebida em um almoço de luminares do pensamento feminino brasileiro para consolidar sua não-candidatura
Como é bem sabido entre a imprensa e a Justiça Eleitoral, Dilma Rousseff não está fazendo campanha antecipada. Mesmo em eventos oficiais onde é aclamada como futura presidenta, ou quando o próprio Lula diz que ela é sua preferida para a sucessão. Então, dando prosseguimento a essa "não-campanha" de uma "não-candidata", Dilma teve um encontro informal com algumas das mais influentes intelectuais brasileiras.
Estavam lá Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Marta Suplicy, Luciana Gimenez e a "Rainha" Hortência, entre outras. Sem esquecer, é claro, de Marilena Chauí. (http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1185608-5601,00-MULHERES+TROCAM+ELOGIOS+COM+DILMA+APOS+ALMOCO+NA+CASA+DE+MARTA+SUPLICY.html) O encontro, obviamente, nada tem a ver com as eleições de 2010। Foi mesmo uma troca de idéias entre pensadoras livres, uma discussão descontraída sobre o futuro do país। Dilma falou e ouviu। É certo que tanto ela, quanto as convidadas, aprenderam bastante umas com as outras। Abaixo vão alguns aperitivos da contribuição dessas poderosas mentes para o estado da naçãओ:
Ana Maria Braga:http://www.youtube.com/watch?v=0mCNdK2L3es
Marta Suplicy: http://www.youtube.com/watch?v=MQXoJCDow2Q
Luciana Gimenez: http://www.youtube.com/watch?v=rVPIWMNArcc&feature=PlayList&p=54CEB69A1C7DEBC6&playnext=1&playnext_from=PL&index=64
FONTE: Mídia @ Mídia

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Mentira é a Mãe da Sem-Vergonhice?

Judith Reisman

O primeiro juiz da Suprema Corte australiana a declarar sua homossexualidade fez um emocionado tributo ao pai da moderna pesquisa sexual, Alfred Kinsey

Alfred Kinsey: pedófilo homossexual é objeto de agradecimentos de outra vítima de uma das maiores fraudes do século XX

















N
o momento em que nosso interesse se volta para a indicação de um novo membro da Suprema Corte dos Estados Unidos1, prestem atenção nisso:

Michael Kirby, o primeiro juiz da Suprema Corte australiana a declarar sua homossexualidade, fez um emocionado tributo ao pai da moderna pesquisa sexual, Alfred Kinsey”. Kinsey o modificou e “ajudou a modificar o mundo”.2

Kirby declarou: “Kinsey falou para a nossa espécie e não apenas para os Estados Unidos”.

Durante décadas, uma comunidade acadêmica manipulada e a grande mídia esconderam as fraudes de Kinsey na ciência, fazendo com que o poder judiciário remodelasse erroneamente as leis, as idéias e a conduta de “nossa espécie” conforme a imagem de Kinsey, isto é, a de um bi/homossexual viciado em sexo e pederasta ativista.
Por exemplo, o juiz Kirby foi presidente da Comissão Internacional de Juristas, [http://www.icj.org], que conta com advogados, juízes, catedráticos e estudantes de Direito afiliados em mais de 70 países [incluindo o Brasil]. Como tal, as falsas noções do juiz Kirby acerca da sexualidade humana ajudariam a criar um judiciário radical quanto a temas sexuais.
Quando o agora aposentado juiz australiano era ainda um adolescente vulnerável, ele aprendeu que Kinsey tinha provado que todo desejo sexual era igual, “apenas uma variante da natureza”.
O comentarista australiano, Bill Muehlenberg, respondeu ao juiz Kirby na Christian Today: “Se alguém se pergunta por que a sociedade está envolvida em tamanha bagunça, basta dar uma olhada em nossas elites governantes... nos juízes, nas pessoas influentes, nos intelectualóides. Por exemplo, um ex-juiz da Suprema Corte australiana está louvando publicamente um dos mais notórios pervertidos sexuais da história recente”.
Confiando na linha partidária do Instituto Kinsey, o juiz Kirby acreditou que o professor era “um tímido taxonomista” que apresentou objetivamente “a verdade da natureza revelada pela ciência”. Ele acreditou na falsa idéia de que Kinsey teria baseado o “relatório” contido em seu livro de 1948, O Comportamento Sexual do Macho Humano, em quase 18.000 pessoas entrevistadas, um corte transversal, uma amostra representativa da população masculina americana.
Acreditando num Kinsey casado, supostamente “tímido”, e também em seus co-conspiradores, o juiz Kirby adverte que a “homofobia” é reforçada pela “instrução religiosa”.

Mas o juiz Kirby não sabia que Kinsey mentiu sobre suas entrevistas, que ele jogou fora 75% daquelas que não o agradavam, ou, tal como escreve Muehlenberg, que em sua maioria os dados provinham “de infratores sexuais na cadeia, criminosos comuns, pedófilos e prostitutas”, a quem Kinsey chamava de “normais, a corrente em voga”, a fim de tornar normal a perversão.
Confiar em Kinsey significava que Kirby, um juiz da Suprema Corte australiana, assim como muitos outros juízes, iriam votar a respeito de casamento, sodomia, ódio e sobre todas as questões sexuais, baseados nas mentiras de Kinsey acerca da Maior das Gerações [The Greatest Generation]3, mentiras tais como estas:
  • A promiscuidade sexual é normal e, portanto, inofensiva;
  • 10 a 37% dos homens são homossexuais ocasionais;
  • Toda a pornografia é inofensiva e saudável;
  • Crianças são sexuais desde o nascimento, logo, o sexo entre adultos e crianças é inofensivo, a menos que os pais perturbem a criança;
  • A masturbação nunca é obsessiva e melhora os casamentos;
  • A prostituição é inofensiva e comum;
  • Todos os orgasmos são bons, de quaisquer fontes: quanto mais, melhor;
  • O aborto é normal e inofensivo;
  • A educação sexual precoce e explícita reduzirá os crimes sexuais;
  • Todas as leis sobre sexo deveriam ser abrandadas ou eliminadas;
  • A liberdade condicional deveria ser concedida a todos os infratores sexuais.
O juiz Kirby acreditava que Kinsey era “hetero” e que, portanto, a sua famosa escala sexual era objetiva. Essa escala oscilava de zero (exclusivamente heterossexual), passando por três (igualmente heterossexual e homossexual), até seis (exclusivamente homossexual), significando que todas as relações bi/homossexuais são normais.
O juiz “abertamente” homossexual tornou-se membro do conselho do Instituto Kinsey, famoso por seu enorme depósito de material pornográfico, o que demonstra a valor dado à pornografia (aparentemente, o material de pornografia infantil, antes disponível, agora é confidencial).
Alfred Kinsey e o campo da sexologia que ele iniciou moldaram as crenças e o entendimento da sociedade ocidental sobre a natureza da sexualidade humana, tal como ensinados em todos os níveis educacionais – ensino fundamental, médio e superior – e citados nos tribunais como verdades científicas.
Walter W. Stewart, cientista do National Health Institute, escreveu: “Em função da óbvia importância da obra de Kinsey, estas questões [da má ciência e do abuso de crianças] precisam ser minuciosamente investigadas e debatidas abertamente pela comunidade científica”.
Até hoje, este debate foi fraudado pelo grupo de Kinsey, permitindo que adolescentes crédulos, tal como Kirby, se tornem advogados, funcionários do judiciário, juízes e legisladores que legalizam condutas sexuais baseados num programa de mentiras sexuais.
Jack Sonnemann, diretor da Federação Australiana pela Família, criticou o juiz Kirby dizendo: “A International Planned Parenthood [no Brasil, em parceria com a BEMFAM], a comunidade internacional de educação sexual, muitos nos círculos acadêmicos, o judiciário e a mídia, também se curvam a Kinsey: um sadomasoquista, bi/homossexual, viciado em masturbação e pornografia, um psicopata que empregou pedófilos para sodomizar garotinhos”.
Sonnemann ainda acrescentou: “Agentes da lei, cientistas responsáveis, legisladores e profissionais da educação tentaram determinar o que aconteceu às ‘crianças da Tabela 34’ 4, mas sem nenhum sucesso.
Eles são bloqueados a cada passo do caminho pelos totalitários do Instituto Kinsey na Universidade de Indiana. O legado de Kinsey como torturador sexual de crianças não deveria, de forma nenhuma, ser louvado”.
A perspectiva de mais um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que acredite nas fraudes sexuais de Kinsey só pode levar a mais desastre social.

Tradução: Henrique Paul Dmyterko

Republicado do site Mídia@Mais
1 NT: Artigo publicado originalmente em 15/05/2009.
3 NT: The Greatest Generation, expressão cunhada por um jornalista americano para se referir àqueles que cresceram em meio à Grande Depressão dos anos 1930 e que lutaram na II Guerra Mundial.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Quem é filósofo e quem não é

Olavo de Carvalho*

Cada filósofo tem de pensar com as cabeças de seus antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o estado em que a questão chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro abstratismo bocó, opinionismo gratuito, amadorismo presunçoso.

À medida que se espalha a consciência da debacle total das nossas universidades públicas e privadas, cresce o número de brasileiros que, valentemente, buscam estudar em casa e adquirir por esforço próprio aquilo que já compraram de um governo ladrão – ou de ladrões empresários de ensino – e jamais receberam.

Quase dez anos atrás a Fundação Odebrecht – no mais, uma instituição admirável – me perguntou o que eu achava de uma campanha para cobrar do governo um ensino de melhor qualidade. Respondi que era inútil. De vigaristas nada se pede nem se exige. O melhor a fazer com o sistema de ensino era ignorá-lo. Se queriam prestar ao público um bom serviço, acrescentei, que tratassem de ajudar os autodidatas, aquela parcela heróica da nossa população que, de Machado de Assis a Mário Ferreira dos Santos, criou o melhor da nossa cultura superior. O meio de ajudá-los era colocar ao seu alcance os recursos essenciais para a auto-educação, que é, no fim das contas, a única educação que existe. Cheguei a conceber, para isso, uma coleção de livros e DVDs que davam, para cada domínio especializado do conhecimento, não só os elementos introdutórios indispensáveis, mas as fontes para o prosseguimento dos estudos até um nível que superava de muito o que qualquer universidade brasileira poderia não só oferecer, mas até mesmo imaginar.

Minha sugestão foi gentilmente engavetada, e, com ou sem campanha de cobrança, o ensino nacional continuou declinando até tornar-se aquilo que é hoje: abuso intelectual de menores, exploração da boa-fé popular, crime organizado ou desorganizado.

Na mesma medida, o número de cartas desesperadas que me chegam pedindo ajuda pedagógica multiplicou-se por dez, por cem e por mil, transcendendo minha capacidade de resposta, forçando-me a inventar coisas como o programa True Outspeak, o Seminário de Filosofia Online e outros projetos em andamento. E ainda não dou conta da demanda. As cartas continuam vindo, e o pedido que mais se repete é o de uma bibliografia filosófica essencial. É pedido impossível. O primeiro passo nessa ordem de estudos não é receber uma lista de livros, mas formá-la por iniciativa própria, na base de tentativa e erro, até que o estudante desenvolva uma espécie de instinto seletivo capaz de orientá-lo no labirinto das bibliotecas filosóficas. O que posso fazer, isto sim, é fornecer um critério básico para você aprender a discernir à primeira vista, entre os autores que falam em nome da filosofia, quais merecem atenção e quais seria melhor esquecer.

Tive a sorte de adquirir esse critério pelo exemplo vivo do meu professor, Pe. Stanislavs Ladusãns. Quando ele atacava um novo problema filosófico – novo para os alunos, não para ele –, a primeira coisa que fazia era analisá-lo segundo os métodos e pontos de vista dos filósofos que tinham tratado do assunto, em ordem cronológica, incorporando o espírito de cada um e falando como se fosse um discípulo fiel, sem contestar ou criticar nada. Feito isso com duas dúzias de filósofos, as contradições e dificuldades apareciam por si mesmas, sem a menor intenção polêmica. Em seguida ele colocava em ordem essas dificuldades, analisando cada uma e por fim articulando, com os elementos mais sólidos fornecidos pelos vários pensadores estudados, a solução que lhe parecia a melhor.

A coisa era uma delícia, para dizer o mínimo. Num relance, compreendíamos o sentido vivo daquilo que Aristóteles pretendera ao afirmar que o exame dialético tem de começar pelo recenseamento das “opiniões dos sábios” e tentar articular esse material como se fosse uma teoria única. Cada filósofo tem de pensar com as cabeças de seus antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o estado em que a questão chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro abstratismo bocó, opinionismo gratuito, amadorismo presunçoso.

A conclusão imediata era a seguinte: a filosofia é uma tradição e a filosofia é uma técnica. Chega-se ao domíno da técnica pela absorção ativa da tradição e absorve-se a tradição praticando a técnica segundo as várias etapas do seu desenvolvimento histórico.

Note-se a imensa diferença que existe entre adquirir pura informação, por mais erudita que seja, sobre as idéias de um filósofo, e levá-las à prática fielmente, como se fossem nossas, no exame de problemas pelos quais sentimos um interesse genuíno e urgente. A primeira alternativa mata os filósofos e os enterra num sepulcro elegante. A segunda os revive e os incorpora à nossa consciência como se fossem papéis que representamos pessoalmente no grande teatro do conhecimento. É a diferença entre museologia e tradição. Num museu pode-se conservar muitas peças estranhas, relíquias de um passado incompreensível. Tradição vem do latim traditio, que significa “trazer”, “entregar”. Tradição significa tornar o passado presente através da revivescência das experiências interiores que lhe deram sentido. A tradição filosófica é a história das lutas pela claridade do conhecimento, mas como o conhecimento é intrinsecamente temporal e histórico, não se pode avançar nessa luta senão revivenciando as batalhas anteriores e trazendo-as para os conflitos da atualidade.

Muitas pessoas, levadas por um amor exagerado à sua independência de opiniões (como se qualquer porcaria saída das suas cabeças fosse um tesouro), têm medo de deixar-se influenciar pelos filósofos, e começam a discutir com eles desde a primeira linha, isto quando já não entram na leitura armadas de uma impenetrável carapaça de prevenções.

Com o Pe. Ladusãns aprendíamos que, no conjunto, as influências se melhoram umas às outras e até as más se tornam boas. Incorporadas à rede dialética, mesmo as cretinices filosóficas mais imperdoáveis em aparência acabam se revelando úteis, como erros naturais que a inteligência tem de percorrer se quer chegar a uma verdade densa, viva, e não apenas acertar a esmo generalidades vazias.

Algumas regras práticas decorrem dessas observações:

1. Quando você se defrontar com um filósofo, em pessoa ou por escrito, verifique se ele se sente à vontade para raciocinar junto com os filósofos do passado, mesmo aqueles dos quais “discorda”. A flexibilidade para incorporar mentalmente os capítulos anteriores da evolução filosófica é a marca do filósofo genuíno, herdeiro de Sócrates, Platão e Aristóteles. Quem não tem isso, mesmo que emita aqui e ali uma opinião valiosa, não é um membro do grêmio: é um amador, na melhor das hipóteses um palpiteiro de talento. Muitos se deixam aprisionar nesse estado atrofiado da inteligência por preguiça de estudar. Outros, porque na juventude aderiram a tal ou qual corrente de pensamento e se tornaram incapazes de absorver em profundidade todas as outras, até o ponto em que já nada podem compreender nem mesmo da sua própria. Uma dessas doenças, ou ambas, eis tudo o que você pode adquirir numa universidade brasileira.

2. Não estude filosofia por autores, mas por problemas. Escolha os problemas que verdadeiramente lhe interessam, que lhe parecem vitais para a sua orientação na vida, e vasculhe os dicionários e guias bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do assunto. A formulação do problema vai mudar muitas vezes no curso da pesquisa, mas isso é bom. Quando tiver selecionado uma quantidade razoável de textos pertinentes, leia-os em ordem cronológica, buscando reconstituir mentalmente a história das discussões a respeito. Se houver lacunas, volte à pesquisa e acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico suficientemente contínuo. Depois classifique as várias opiniões segundo seus pontos de concordância e discordância, procurando sempre averiguar onde uma discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias essenciais em discussão. Feito isso, monte tudo de novo, já não em ordem histórica, mas lógica, como se fosse uma hipótese filosófica única, ainda que insatisfatória e repleta de contradições internas. Então você estará equipado para examinar o problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e, confrontando-o com o legado da tradição, dar, se possível, sua própria contribuição original ao debate.

É assim que se faz, é assim que se estuda filosofia. O mais é amadorismo, beletrismo, propaganda política, vaidade organizada, exploração do consumidor ou gasto ilícito de verbas públicas.

*O autor é filósofo e reside atualmente nos EUA. Este e outros textos podem ser encontrados no site Mídia Sem Máscara

sábado, 16 de maio de 2009

Início

Como estou sem idéia, iniciarei a postagem do blog com um poema que li e gostei. Talvez eu publique mais alguns outros textos antes de escrever alguma coisa. Se alguma idéia própria pintar, quem sabe não posto. De qualquer forma, a partir de agora a página branca (ops, verde) deixou a virgindade.
Espero que gostem do poema.
F.I.
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NATURAL

Por Jorge Fernandes

Encurralado, a vergonha bate à porta, como um sinal sem resposta,

Uma explicação sem jeito, vazia, inócua, somente o mal a levar-me a efeito,

À desonra que não ignoro, e se esconde nos gritos,

Mas não abafam a dor que inflige, o sofrimento desnudado,

Pois o que fiz divide-me, e as partes colaboram para o temerário,

E a lágrima descuidada, não apaga o dito nem o feito anos a fio.

O torpor camufla-me; na impossibilidade de encará-lo nos olhos,

Desvio-os ao longe, onde não revelem o quanto a minha alma indistinta

Pode refletir-se nas águas turvas da bravata, onde a névoa oculta com traços de civilidade

A fraqueza moral instalada no pecado, os irmãos siameses,

A levar-me ao abandono, ao digladiar insano contra Deus.

O vexame diante da verdade, a olhá-la de esguelha, a esperar o descuido,

Para tomar as rédeas daquilo de mais sórdido construído.

É o canto esmaecido do pardal, a resposta que não vem à tona,

Solapada em toneladas de impurezas,

A desculpa é o favor que me concede continuar por tudo o que passei e não remediei,

O que para trás ficou, segue-me adiante, a fazer-me pior do que fui um dia,

E a chuva a encharcar-me não lava a sujeira e o odor fétido a cobrir-me,

No qual me atolo como um barco encalhado, no refúgio de não poder livrar-me,

Não há como soltar-se sozinho, não há força nem movimento útil,

Apenas é-se capaz de ir mais rápido ao fundo, qual objetivo alcançado,

Restando o grito de desprezo a soluçar em gorgulhos,

O afogar-se no inútil esforço, o descontrole de não ter o escape,

É a desculpa para insistir nos erros.

Já senti isso muitas vezes, passei por isso outras tantas,

Basta seguir o mal levianamente, e ele nos levará a imolar até mesmo o que não temos,

É-nos emprestado, será cobrado com juros, e nos deixará nu como terra assolada,

Nem mesmo as cinzas perdoarão, enquanto reviro-me no mover contra Ele,

Pois não é possível o mundo me absolver, se está a cumprir sua própria pena.

A evasiva não passa de pilhéria, é o medo de não parar até ser arrancado e posto no patíbulo...

O silêncio é o risco assumido, o perigo que não tem fim.

FONTE: www.kalamo.blogspot.com